A grande comédia e a tragédia do e-commerce brasileiro

Basta! O e-commerce no Brasil precisa virar um negócio sério.

 

Quando abrem as cortinas, o espetáculo está armado! Os personagens interagem entre si com alegria e entusiasmo, a história é incrível, o mundo é de sonhos e o arco de comédia-romântica-céu-de-brigadeiro se desenrola sem grandes problemas. Este é o e-commerce brasileiro.

 

Hoje, recebemos a confirmação do que já sabíamos há mais de dois anos: alguma coisa muito séria estaria acontecendo no e-commerce brasileiro, principalmente em uma das gigantes do mercado.

 

A Cnova, considerada o segundo maior varejista online do Brasil, apesar de sempre apresentar problemas de entrega , operação e logística em geral nos últimos 02 anos , sempre fechou os balanços no azul. A matemática nunca bateu e agora descobrimos que os números eram manipulados para que as contas batessem e que aquele azul não era tão azul assim e estava mais avermelhado do que aparentava. O famoso 2 + 2 = 5.

 

O mais grave de tudo, é que esta era a marca de referência para grande parte do e-commerce, com seus gurus sempre aparecendo em palestras comemorando seus grandes números e resultados que, como nós sabemos agora, eram manipulados e o nosso personagem, numa virada inesperada da história, era um dos grandes vilões do enredo.mascara

 

Estamos aprendendo as nossas lições sobre e-commerce com quem? Com este tipo de pessoa?

 

Espero que o mercado entenda, que o e-commerce brasileiro tem que passar por uma reformulação geral, em seus prazos de pagamentos que só destroem as margens das empresas, em seus fretes GRATIS, que só afundam cada vez mais as operações, em suas pseudo-promoções que só acumulam processos nos Jurídicos.

 

A inversão de valores é tão absurda, que dá para contar nos dedos quais empresas investidas por fundos milionários já conseguiram pagar o investimento.

 

O que acontece é: quem vende geladeira é a Brastemp, as empresas de e-commerce que comercializam este produto, tem que entender de uma vez por todas que elas vendem um serviço ao consumidor e não a geladeira em si.

 

É necessário acontecer uma grande evolução no e-commerce brasileiro, caso contrário vamos continuar participando das grandes peças teatrais, os grandes circos armados pelo e-commerce, de feiras e eventos com focos exclusivamente em vender cotas de patrocínio e stands para aqueles que se beneficiam das mazelas dos desavisados.

 

Quando as cortinas se fecham e o espetáculo de exposição das feiras e dos stands acaba, as palestras ensaiadas, com seus números inventados, chegam ao final, toda a maquiagem do rosto é lavada e a máscara da comédia é retirada, o que sobra é a verdadeira tragédia mascarada do e-commerce e quem paga o pato somos nós, espectadores e consumidores do espetáculo: o consumidor brasileiro.


Sobre o Autor

Maurício Vargas
Idealizador e fundador do ReclameAQUI, site considerado protagonista da revolução nas relações de consumo entre empresas e os consumidores no Brasil. Iniciou sua carreira na área de Relacionamento com Cliente em 2001 e, desde então, já falou para mais de 50.000 pessoas em cursos, MBA e eventos nacionais e internacionais sempre com o foco em relacionamento com o cliente e a disruptura do consumidor. Atualmente, Maurício Vargas é presidente do ReclameAqui, CEO do Sapato Laranja - Espaço de Inovação e do O Mediador, plataforma de ODR (Resolução de Conflitos Online).